domingo, 27 de abril de 2014

Educador Ctrl c Ctrl v

Fico estarrecida quando ainda encontro profissionais educadores que cobram de seus alunos reescritura do material didático, sem reduzir ou acrescentar ideias. Principalmente, quando já são mestres, doutores, que atuam para alunos que estão buscando essa (s) mesma graduação.  
Quando se trata de graduação vem a minha mente pessoas esclarecidas, desenvolvidas de informação e pensamento, de prática reflexiva, que estão acostumadas com diversidades, discussão, reflexão e inovação. Creio até que muitos professores estão acostumados a vivenciarem tais situações, mas ainda consigo encontrar e saber de uma parte, que parece que é a minoria, espero que sim, que não aceita quando essa prática vem do aluno. Esse tipo de professor que cobra o “copia e cola” do material para reescrever na prova, cai na repetição e cópia do ato de ensinar. Não aceita o aluno que usa uma linguagem critica e reflexiva ainda que esteja coerente com o tema de estudo. E quando ainda estipula linhas para que o aluno reescreva, não com as próprias palavras, mas, com as palavras do material didático, limita ou exclui o pensamento próprio do estudante. 

Nesse sentido, não estão em sala de aula para formar agentes transformadores e sim agentes repetidores. Não estão a fim de colaborar com a aprendizagem, com a autonomia e emancipação de seus alunos. Alunos questionares, frente a esse tipo de professor, geram problemas para ambos, porque o educador “Ctrl c  Ctrl v” se acha o único detentor do conhecimento. 



Acho incoerente falar de Educação, em pleno século XXI, que tanto se discute a diversidade, a criticidade, o pensamento, o conhecimento do aluno, e encontrar ainda professores com esse tipo de cobrança. Ao me deparar com esse tipo de professor, parece que estou voltando no tempo em que saber era reter conhecimento, era decoreba, onde na maioria das vezes os alunos não entendiam o que escreviam devido a falta de liberdade de expressão. Quando penso naquela educação libertadora proposta por Paulo Freire, por sua face crítica e educativa, que permite a organização reflexiva do pensamento crítico, nesse caso, infelizmente, sou obrigada a colocar de lado. Caso contrário, zero a prova, ou quase isso.  Esse tipo de profissional não reconhece, não valoriza seu aluno. O reconhecimento e o respeito podem ser vistos quando o aluno relata, tendo coerência com o material, o seu pensamento e isso é levado em conta.
A valorização deixa de existir quando dar notas baixas passa ser orgulho e/ou prazer, esses são os sádicos da educação. Ah, se os alunos pudessem escolher!! Bom, já que não é assim que funciona, que venham os professores Ctrl c  Ctrl v, que começarei a aprender técnicas de memorização. 

O alívio vem ao saber que, o prazer em estudar é retomado ao encontrar aquele professor que é um instrumento transformador da prática educacional.  

#indignada

Cristina Calazans                                                                             

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Bullying não é brincadeira.

Pensei que a maioria das pessoas já soubesse, até porque está na mídia, na boa do povo, mas depois que conversei com uma assistente social que me disse que o bullying só pode acontecer entre grupos, e após uma palestra assistida por minha família onde uma psicóloga disse que o bullying é uma brincadeirinha... que pode acontecer entre professor e aluno e, também, no trabalho, entre patrão e empregado, vi que não.
Diante das informações equivocadas pude perceber que muitas pessoas, por mais que tenham suas graduações escolares, não sabem identificar o que é o bullying, como também não sabem tratar esse problema. O bullying acontece a partir de pares, e o que a psicóloga relatou se trata de assédio moral. Além disso, o bullying não consisti em uma brincadeirinha, trata-se de um assunto sério que tem que ser visto e tratado com atenção e respeito.  No decorrer da palestra, minha família pôde perceber que muitos que estavam no auditório não sabiam o que é o Bullying e como deve ser tratado, isto a psicóloga não explicou, pois, pra ela, o que estava acontecendo na escola, era apenas uma brincadeirinha....


Sofri agressões psicológicas dentro das escolas as quais estudei, mas a maneira como as ações aconteciam era diferente. Não tinha essa intensidade e a agressividade que tem nos dias de hoje.  Ai que está à diferença. Como sabemos, os tempos mudam e a sociedade o acompanha, as agressões são outras ou parecidas, porém com mais constância e com um grau mais elevado.
Percebemos que o número de adolescentes envolvidos em crimes aumenta cada vez mais, isto denota que o quadro está mudado, que o comportamento humano está cada vez mais agressivo, muitas vezes inexplicável aos olhos do leigo. A prática do bullying pode ser incluída nessa mudança.

Há diferença entre assédio moral e bullyng.
Assédio moral:  "Acontece entre pessoas de hierarquias diferentes. Ou seja, do professor para o aluno, do chefe para com seus subordinados. E nesta relação entre desiguais, um agride e o outro não reage justamente por causa da sua relação hierárquica inferior, ora se o alvo reage, por exemplo, ele é demitido, recebe nota baixa ou é mandado para fora da sala de aula, depende de quem for ele (aluno ou funcionário, como no exemplo).".
Já o bullying pode acontecer a partir de pares, não se trata apenas de colocar apelidos nos colegas de escola, por exemplo, mas de uma situação constante que gera intimidação, exclusão. “Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas.” gerando consequências.
Por exemplo, falando de um ambiente escolar, uma pessoa começa caracterizar a outra através de apelidos ou fofocas, difama, ofende, isso se torna constante, espalha-se pelo grupo de colegas, geralmente é o infrator que espalha, pois seu principal objetivo é fazer a vítima sofrer, o agredido não consegue lidar com a situação, retrai-se, é excluído pelo grupo, abala seu emocional, não quer mais ir à escola, esse conjunto de situações é o bullying. 

O bullying chega a afetar o estado emocional do jovem de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio. Para que a situação não chegue a esse ponto, os pais devem observar o comportamento de seus filhos a fim de tomar conhecimento e denunciar. Na maioria das vezes, a vítima não consegue por si só fazer a denuncia. Por outro lado, muitas escolas não dão acesso aos pais para falarem sobre o que seus filhos sofrem no ambiente escolar, por isso torna-se difícil tratar do bullying junto à escola. Esta deveria ouvir com o objetivo de tomar as medidas restaurativas. Essas medidas envolvem o agressor, a vítima, os familiares que se reúnem na escola, expõem os fatos relatando os motivos e as consequências do ato. A partir daí tentam achar uma solução para o problema, firmando acordos, pedindo desculpas. Mas se a justiça restaurativa não adiantar, não for possível ou suficiente para resolver o conflito, deve-se tornar caso de polícia, ou seja, se a escola não ouvir, ou tratar com descaso o problema, vá ao conselho tutelar, ligue 100 ou nos telefones: (61) 2025-3116 / 9825 / 3908 – Ouvidoria dos Direitos Humanos – e vá também à polícia. O que não se pode fazer é esperar para ver onde chegará atitude(s) constantemente agressiva. É preciso fazer avaliações diagnósticas e tomar decisões a fim de impedir a agressão física.   

Cristina Calazans



terça-feira, 21 de maio de 2013

Cibercultur@





A cibercultura transforma a relação da pessoa com a tecnologia. Através de debates e de trocas de informações, nos traz crescimento humano e intelectual. Por exemplo, fico boba de ver pessoas de idade que não sabiam ligar o PC e/ou digitar, e tiveram que entrar nesse universo, sentiram-se atraídas a se inserir nesse ciberespaço, tiveram que aprender a interagir na Internet para se comunicar com familiares, com amigos etc. O interessante é que a gente usa e sabe de tudo isso, mas muitas vezes não percebemos a importância que a cibercultura tem em nossas vidas. Ouço dizer: hoje os tempos são outros. Realmente, vivemos um novo tempo que nos exige novas atitudes como um jeito rápido de pensar, de fazer, de mudar para acompanhar o mundo. A cibercultura nos direciona para tudo isso, mas a Educação ainda está distante desse caminho.

Muitos não tinham a possibilidade de conhecer, se aproximar de outras culturas, mas através da  cibercultura podemos nos aprofundar, adquirir em nossa cultura novos conhecimentos, podemos enriquecer, ampliar o nosso conhecimento. Além disso, devido a essa sociedade cibernética, foi criado um novo modelo de Educação, ou seja, a Educação online, a EAD, que estão inseridas nesse processo. Elas ajudam a “correr atrás do tempo", elas fazem o nosso tempo se tornar mais dinâmico através de cursos on-line, videoconferência, aulas presenciais com atividades virtuais, etc, flexibilizam o tempo e o espaço.

Assim como a cibercultura proporciona flexibilizar o tempo e o espaço, o professor precisa se preparar para entrar nessa também, seguir nessa direção, se conscientizar que a cibercultura veio dar vida e dinamizar o processo de ensino/aprendizagem, precisa se sentir à vontade no ambiente digital, utilizar adequadamente os recursos tecnológicos, criar ambientes de aprendizagem envolvendo as novas tecnologias. Mas tudo isto exige uma atualização constante, exige uma nova visão de educar e aprender. Mas aí que "mora" o problema, "uma nova visão". Quem é que quer se desfazer daquilo que já está habituado a fazer? Quem é que gosta de se deparar com o novo, com o diferente? O novo/diferente dá trabalho, pois tem que ser entendido, analisado para praticar corretamente. Vivemos em uma sociedade exclusivista, pretensiosa. Sendo assim, quem acha que precisa aprender, se atualizar para ensinar? Pois é, percebo por aí que a maioria acha que não precisa, e tudo acontece de cima para baixo, ou seja, do gestor em diante. As escolas "fecham as portas" para o diferente, literalmente. Mudanças de hábitos? Nem pensar!! No entanto, para uma aprendizagem e prática se tornarem significativas, é necessário que o professor esteja inserido em todo esse processo, buscando educar para cidadania na e com a cibercultura. Vejam que incoerência: temos nas salas de aulas a geração y, e estamos caminhando para receber a geração z, mas a didática de muitos professores está mais para a geração "p", pré-histórica.


Abçs
Cristina Calazans

sábado, 13 de outubro de 2012

Feliz Dia Do Professor!!





A todos os educadores... Feliz Dia Do Professor!!

P.S: Ligue o som, a música é muito fofa!! ;-)



Cristina Calazans

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Para consumo pessoal ou não, diga não à legalização!!



É um desserviço ao país legalizar o uso da maconha ou de qualquer outra droga ilícita. 
Não se pode comparar o Brasil com outros países que já legalizaram. Cada país tem as suas características, sua singularidade. O Brasil não tem fiscalização eficiente e por isso não seria possível ter o controle da situação. Acredito que a legalização viabilizaria prejuízos na saúde, na família, na sociedade.
                    
Se aprovado, o projeto (Lei de Entorpecentes) vai alterar a Lei 11.343/2006, que instituiu o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad). Pois, de acordo com o texto, "deixa de ser crime o porte, o plantio para uso próprio e o consumo de quantidades limitidas de entorpecentes. Além disso, prevê a implantação de um sistema de apoio e atenção ao dependente químico." No entanto, a previsão de assistência ao usuário e ao dependente de drogas, decorrente da ideia de dignidade humana e/ou direito à saúde, não vem sendo concebida regularmente, por isso, após a alteração, não acredito que será cumprido na íntegra. 


Art. 28.  Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. 

Logo, no art. 28, pode-se entender que descriminalizou a conduta de posse de droga para consumo pessoal, pois não permite a pena de prisão. 


O texto abaixo é muito interessante. É só clicar para visualizar melhor.





quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Currículo tem a "cara" do Gestor




O currículo deveria ser, para muitos educadores, globalizado, eficaz, flexível. Porém, para grande parte dos profissionais da educação, se torna utopia um currículo assim. Preparar um currículo que abranja os atores escolares (Profissionais da educação, alunos e comunidade), dinâmico, eficiente, um currículo que atraia a comunidade escolar para que juntos trabalhem para a formação humana, que seja visto como um instrumento de melhoria no ensino é um desafio muito grande, mas não penso que seja impossível.

Acredito na frase que tem por aí: “A empresa é a cara do dono”. Também concordo com Moran quando ele diz: "O que é essencial para ter uma escola diferenciada? Uma boa escola começa com um bom gestor. Muitos excelentes professores são maus gestores, administradores. O bom gestor é fundamental para dinamizar a escola, para buscar caminhos, para motivar todos os envolvidos no processo.” (MORAN, J.M)
Por isso, a meu ver, é a partir do gestor que tudo começa. Quando o gestor é participativo, flexível, eficiente, dificilmente o currículo deixará de ter essas características.  

O gestor é quem “chama” os profissionais da “sua” instituição a fim de que conheçam seus alunos e sua comunidade. O gestor, juntamente com sua equipe escolar, atrai os outros atores escolares.  Assim se começa a pensar em um currículo que tenha base para os que irão ensinar e para os que irão aprender. Que possua elementos que abranja o convívio social dentro e fora da escola. Um currículo formulado em vista das dificuldades e das necessidades dos destinados. Que respeite as várias culturas, costume, crenças, tendo em vista que a escola é um lugar de formação e transformação social.

Para a escola de hoje possuir um currículo que seja indicador do processo ensino-aprendizagem, é necessário que a equipe gestora se preocupe com o que ensinar e como ensinar, cabe um trabalho efetivo do gestor junto à coordenação pedagógica da escola junto aos professores. O currículo escolar e a prática pedagógica da escola devem constituir o centro das preocupações da equipe gestora.

Com muito mais facilidade encontra-se "gestor ou diretor onipotente, detentor exclusivo da autoridade pedagógica e administrativa na escola", que centraliza o comando. Dificilmente encontra-se um gestor participativo, descentralizador. Raramente encontra-se um gestor que tenha disposição para construir um currículo fora dos muros da escola. Para isso seria necessário que o gestor e sua equipe se envolvessem no contexto social e real dos envolvidos.

Se for preciso construir um currículo articulado, flexível, participativo, descentralizador, eficiente é necessário ter um gestor com essa mesma “cara”. 

Abçs

Cristina Calazans

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Informática na Educação


Estava lendo... e por isso penso que:
Ainda é muito pequena a quantidade de professores que adotam o uso da Informática para a aquisição do conhecimento dos seus alunos. Isso acontece devido a falta de interesse e/ou conscientização de que o uso da Informática dinamiza a aula e dá siginifcado a aprendizagem, ou por falta de estrutura no traballho.
O uso do computador traz inovações, complementa o processo de ensino-aprendizagem.
O profissional de educação precisa aplicar a Informática como instrumento pedagógico e passar a ver o computador como um instrumento de inclusão digital.
Tendo em vista a facilidade e a rapidez  na busca do conhecimento e  levando em conta que "os computadores estão presentes na mais variadas esferas da atividade social", é necessário inserir essa ferramenta  na Educação. No entanto, "não basta saber manusear o computador, é necessário usá-los com criatividade e com um olhar crítico", é importante associar a tecnologia com a metodologia.
Segundo Morin, "o novo brota sem parar", por isto o educador deve buscar se atualizar e/ou inovar. O computador é uma ferramenta que deve estar incluído nessa busca.
Por outro lado, sabemos que muitas escolas ainda não possuem laboratórios de Informática, quando possuem os mantêm fechados por falta de capacitação dos profissionais ou por falta de manutenção. Dentro dessa perspectiva, a falta de acesso à tecnologia da informação e comunicação causam desestímulo ao professor. É importante assegurar aos educadores o direito de usar o computador como recurso didático. Não adianta projetos de governo como Cidadão Conectado, Inclusão digital...se não houver capacitação profissional e ambiente adequado para o uso das máquinas.
Usar o computador como ferramenta pedagógica é diversificar a prática docente, é dinamizar o ambiente de trabalho, é conduzir o aluno ao exercício pleno da cidadania.



Abçs

Cristina Calazans  

Imagem: https://www.google.com.br

terça-feira, 3 de abril de 2012

Pegadinha de mau gosto

O aluno se preparou para uma prova de Matemática, por exemplo, quando se deparou com a prova: "Ué, mas não foi exercitado nada desse jeito em sala de aula, o professor não ensinou assim!!" A partir daí a insegurança fica maior, o nervosismo aumenta, logo, o aluno não consegue realizar uma boa prova e o processo ensino/aprendizagem não se tornou eficaz. 
Não consigo entender a proposta de avaliação de certos professores quando são cobradas, em provas, questões problematizadas sem ter sido trabalhadas em sala de aula. Por que cobrar o que não foi exercitado? Por que não se aprofundar nas questões antes? 
Nas provas, mesmo com o conteúdo dado, se for cobrado questões que não foram problematizas, podemos chamar essa avaliação de a "hora da tortura"? 
Pensando na problematização, na reflexão e no questionamento, teremos uma avaliação produtiva ao processo ensino-aprendizagem. Então, como construir um conhecimento produtivo sem que haja problematização e questionamentos? A partir destes, surgem os erros que podem ser reveladores para a aprendizagem. 
Gostaria de saber quais são os fundamentos epistemológicos que sustentam essa concepção de avaliação? Antes de uma prova, geralmente, não é feita uma abordagem de investigação eficaz, já que não é visto em sala de aula exercícios problematizadores para que os estudantes possam tomar consciência dos procedimentos que irão utilizar para resolver as situações problemas dadas na prova, não se prepara o aluno para o momento da avaliação. 
O processo avaliativo envolve uma compreensão mais ampla do que só conteúdo dado, para isso é necessário problematizar, desenvolver e debater. A meu ver, problematizar somente na prova é uma pegadinha de mau gosto. 


Cristina Calazans



quinta-feira, 15 de março de 2012

Teoria sem prática é só blá blá blá


Educar é transformar, é vivenciar, é ser crítico, é contemplar a realidade, sendo assim, por que ainda se insiste na dicotomia teoria-prática?
Paulo Freire deixa claro que “teoria é sempre a reflexão que se faz do contexto concreto isto é, deve-se partir sempre de experiências do homem com a realidade na qual está inserido, cumprindo também a função de analisar e refletir essa realidade, no sentido de apropriar-se de um caráter crítico sobre ela.”.
Essa insistência em dicotomizar teoria-prática, prejudica a aprendizagem, pois a Educação que se busca hoje é a que tenha um caráter libertador, dialético. Como se pode alcançar esse objetivo dissociando teoria-reflexão-ação?
Transformar é uma ação coletiva, social e política e mesmo sabendo disto, alguns profissionais da educação continuam insistindo em uma educação bancária e opressora, deixando de se comprometer com a transformação social, deixando de levar o aluno à criação, à experimentação, logo, à prática.
Essa questão me preocupa muito quando se chega à faculdade. Será que não deveria ser antecipado o tempo de estágio? Será que não seria mais fácil de entender o que se ouve, praticando mais cedo do que o que a lei de estágio propõe? Por exemplo, uma pessoa que escolheu fazer o curso de Pedagogia com intuito de dar aulas, será que o fato dela estagiar, entrar em uma sala de aula mais cedo para vivenciar a futura profissão, não a ajudaria a ter certeza do que quer? A propósito, os estágios deveriam ser melhores, ou seja, mais organizados, mais supervisionados, para serem mais aproveitados. “§ 1o  art. 7º - O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente”. Já vi muitos estagiários, em muitos momentos, sem nenhuma supervisão por perto. Supervisor em estágios geralmente é passeio, ou seja, só aparece bem de vez em quando.
É necessário que os estagiários vivenciem o que irá praticar. Por exemplo, estagiar para o curso de Direito em um fórum ou em um escritório de advocacia, na maior parte das vezes é colar etiquetas e ser digitadores, não vivenciam os autos dos processos, saem da faculdade sem saber praticamente nada e, quando são lançados no mercado de trabalho, ficam sem saber por onde começar, é visto como mais um desqualificado.
Acredito que não só os alunos da Educação Básica, mas também os universitários devem ser formados sabendo “ler o mundo” e não somente as palavras.
Será que realmente, na educação, desde a Educação Infantil, busca-se transformar o mundo ou se idealiza repetidores ao invés de criadores? É preciso ter a informação para criar, mas também é preciso ter a experiência. “Porque estudar pressupõe criar, recriar, e não apenas repetir o que os outros dizem...” 
É importante ressaltar que a teoria é muito importante, mas esta sem a prática, a meu ver, é puro blá blá blá!!  
"A teoria sem a prática vira 'verbalismo', assim como a prática sem teoria, vira ativismo. No entanto, quando se une a prática com a teoria tem-se a práxis, a ação criadora e modificadora da realidade." Paulo Freire

Cristina Calazans

domingo, 27 de novembro de 2011

Reforma ortográfica, para quê?


Hoje, fuçando a net, encontrei um artigo muito interessante falando sobre a reforma ortográfica. Na época do bochicho, quando soube dessa reforma, fiquei indignada, pois essa ideia (agora sem acento, eca!!), na minha opinião, só veio para trazer mais confusão à nossa mente. Por que inventar moda? Pra que mudar?!! Invenção de quem não quer se preocupar com coisas mais importantes.

Ainda fico indignada quando tenho que parar para pensar que para - verbo deixou de ser acentuado para diferenciar de para - preposição. Coisa chata isso!!!

Pena que só li esse texto agora. Foi escrito em 2007 pelo professor Sérgio Nogueira. Mas independente da data que foi escrito, concordo plenamente que o Brasil precisa de reformas, mas não na ortografia e sim "Precisamos de reformas na política, na economia, na educação, no judiciário."




Logo abaixo estará o link para quem quiser ler os comentários no blog do professor

Reforma ortográfica, para quê?

qua, 07/11/07
por Sérgio Nogueira |
categoria Dicas

Anda pela internet um alerta sobre uma possível reforma ortográfica. Parece manifesto terrorista.
Diz o texto que “até o final de 2007, entrará em vigor o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Os países-irmãos Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste terão, enfim, uma única forma de escrever.
As mudanças vão acontecer porque três dos oito membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) ratificaram as regras gramaticais do documento proposto em 1990. Brasil e Cabo Verde já haviam assinado o acordo e esperavam a terceira adesão, que veio no final do ano passado, em novembro, por São Tomé e Príncipe”.
Quer dizer que três decidem o que oito terão de fazer? Isso é acordo? Fico impressionado com o poder de São Tomé e Príncipe, de Cabo Verde e, principalmente, do Brasil.
Não há dúvida de que o Brasil necessita de reformas, mas não na ortografia. Temos problemas mais urgentes. Precisamos de reformas na política, na economia, na educação, no judiciário.
Pelo visto, diante da dificuldade de fazer outras reformas, vamos mudar a ortografia. Se resolvermos os problemas do nosso sistema ortográfico, o brasileiro “com certeza” viverá melhor.
Mais adiante, o texto fala em unificação: “O português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol. A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais. Sua unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros”.
Ah, bom! Agora entendi. Estamos preocupados com os estrangeiros.
Até o santo nome do mestre Antônio Houaiss foi usado: “A escrita padronizada para todos os usuários do português foi um estandarte de Antônio Houaiss. O filólogo considerava importante que todos os países lusófonos tivessem a mesma ortografia”.
Entendo que uma padronização até poderia ser saudável, mas é quase impossível, e a verdade é que temos problemas mais sérios para resolver. Por dar consultoria a empresas jornalísticas há mais de dez anos, sei o quanto é difícil fazer uma uniformização.
Tenho meus temores, pois quem gosta exageradamente de padronizações é porque, no fundo, prefere uma “ditadura” a uma saudável flexibilidade que todas as línguas vivas apresentam.
Se a idéia de uniformização era um dos sonhos de Antônio Houaiss, fico sem entender os critérios que levaram a equipe de lexicógrafos do seu dicionário a registrar (a meu ver, acertadamente) vários vocábulos com dupla grafia: aterrissar/aterrizar; catorze/quatorze; co-seno/cosseno; hidrelétrica/hidroelétrica…
O texto da reforma aborda algumas mudanças: fim do acento circunflexo em palavras terminadas em “ôo(s)” e “êem” (abençôo, vôos, crêem, dêem, lêem, vêem); fim do acento agudo nos ditongos “éi” e “ói” (idéia, heróico); fim do trema (lingüiça, seqüência); fim do acento usado em “pára” (verbo) para diferenciar de “para” (preposição).
Gostaria de saber qual é a vantagem. Que ganhamos com isso?
Só posso imaginar que os defensores do fim do trema ficarão felizes. Querem acabar com o trema, que podemos aprender em um minuto, e ninguém fala do hífen, que nos incomoda durante toda a vida.
E a volta da letra “k”. Que alegria! Agora, vou poder escrever sem erro: disk-pizza, disk-chaveiro, disk-borracheiro, disk-sexo…
O alfabeto voltaria a ter 26 letras. Que bom! Se as palavras não poderão ter duas grafias, onde vamos usar o “w” e o “y”? É bom lembrar que, em palavras estrangeiras e nos adjetivos e substantivos do português derivados de nomes estrangeiros (kantismo, shakespereano), o uso do “k”, do “w” e do “y” nunca foi proibido.
Até parece que escrevemos mal por culpa do nosso atual sistema ortográfico, o qual aprendemos por memória visual, pelo bom hábito da leitura.
O que nos falta é incentivo à leitura, é melhorar nossas condições de ensino, é remunerar melhor os professores…
Falta é vontade política de se fazer uma real reforma na educação.
Em tempo: No dia 14 de setembro, em reunião no MEC, ficou decidido que o Brasil não vai 
implementar a tal reforma enquanto Portugal não aderir ao acordo.

http://g1.globo.com/platb/portugues/2007/11/07/reforma-ortografica-para-que/




Um grande bju pra todos!!

Cristina Calazans

Imagens: http://www.google.com.br/search?q=reforma+ortografica 


domingo, 28 de agosto de 2011

Além da Sala de Aula

          
           Esses dias assisti  “Além da Sala de Aula” ou "Além do Quadro Negro" e fiquei impressionada com a história do filme, com a perseverança da professora que estava iniciando a sua vida profissional. Sua primeira turma foi um grande desafio. Sem a mínima estrutura física para dar aulas, alunos desmotivados, pais desinteressados, famílias desestruturada, mas aquela professora era um exemplo de educadora. Que amor que ela tinha pela Educação, quanto comprometimento. Diante de tantos desafios, lutou para levar o ensino aos alunos. Modificou o espaço físico, procurou conhecer a realidade dos alunos, buscou a participação dos pais que eram tão arredios e sem instrução. Em alguns casos, ensinou pais a serem responsáveis pelos  filhos. Além de ensinar as disciplinas, ensinou valores. Procurou novas formas de ensinar. Tentou por diversas vezes buscar ajuda através das autoridades, mas foi rejeitada, no entanto, não desistiu, fez a sua parte. Será que os educadores de hoje exercem sua função com todo esse amor?
        Outro fator muito importante que já havia pensado, discutido com algumas amigas e que o filme mostrou, foi o fato da professora ter uma família estruturada. O marido apoiava suas iniciativas. Com dois filhos pequenos, não deixava de exercer o papel de mãe. Como é importante uma família estruturada, mas, infelizmente, sabemos que essa é uma rara realidade do mundo de hoje.
Muitos educadores reclamam das famílias desestruturadas de seus alunos, mas esquecem de olhar sua própria vida, sua família, que muitas vezes não são tão diferentes das dos educandos.   Essa falta de estrutura familiar do professor contribui para mau humor dentro das salas de aulas, rispidez com alunos, trabalho mal feito, isso quando é feito. Sabemos que o sistema educacional é composto na maioria por mulheres. Mulheres = seres complicados, que trabalham com mulheres, que geralmente vem de uma família desestruturada, sem o apoio de um companheiro, que dificilmente consegue, quando tem, educar seus próprios filhos. Mulheres que lidam com a educação, que é um trabalho árduo, exige perseverança, dedicação, paciência, lucidez, mas antes de tudo isso, tem que ter muito amor. Acho que a partir disso podemos começar a imaginar um dos porquês de tantos problemas dentro de uma instituição de ensino.
            Esse filme me fez lembrar Paulo Freire. Freire revelou ao mundo uma educação para além da sala de aula, da educação formal, capaz não só de ensinar conteúdos e comportamentos socialmente esperados e aceitos, mas também capaz de conscientizar à todos. Será que os professores têm buscado essa prática?
            Ah, logo que a professora começou seu trabalho árduo, engravidou. Grávida, cheia de desafios, de obstáculos e foi até o fim. Será que existem educadores dispostos a passar por tudo isso, por amor à educação?

Esse filme é um fato verídico. 

Recomendo também “Primeiro da Classe”. Um professor com síndrome de Tourette que desafia a todos a se tornar um excelente educador. Também é inspirado em uma história verdadeira.

"Mudar é difícil, mas é possível!" Paulo Freire

Abraços

Cristina Calazans

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Hábito Gostoso da Leitura: Incentivo ou Necessidade

Não vim de uma família onde me ensinaram a gostar da leitura. Ninguém na minha família tinha o hábito de ler. Só obtive o hábito da leitura quando entrei na faculdade, mas isso contarei mais adiante. Independente de ter o costume da leitura ou não, sempre pensei: Quando tiver filhos, vou ensiná-los a adquirir esse hábito tão valioso. Assim o fiz. Quando minha filha mais velha nasceu, antes dela dormir, eu ou meu marido líamos para ela. Quando ela fazia aniversário, além de um brinquedo, sempre vinha um livro de quebra, depois  eu perguntava sobre a história do livrinho. Conversávamos sobre a importância da leitura. Era o máximo ver a minha filha aprendendo a ler....  Hoje essa minha filha tem doze anos é uma devoradora de livros. Quando comecei a me deparar com essa realidade, não acreditava, por isso comecei a fazer muitas perguntas sobre os livros, e aí... "Não é que ela leu mesmo". Ela lê os mesmos livros várias vezes quando demoramos a comprar, caso contrário ela apela pela Internet mesmo. Um dos passeios que ela mais curte, é uma livraria bem grande que tenha muitas opções de livros e um espaço para ela sentar e escolher. Resolvi fazer esse relato, para poder enfatizar a importância de ensinar,  de direcionar a criança a gostar de livros, da leitura.
Depois de quase cinco anos veio a minha filha mais nova que hoje está com sete anos e seguindo a mesma prática de leitura da mana. Devora livros, quer sempre um livrinho novo, está lendo cada vez mais rápido. Quando pergunto: Cadê o livro? Já li, mãe!!  Como não pode faltar, pergunto o que achou do livro e sobre a história do mesmo. 
Como disse no início, não fui estimulada ao bom hábito da leitura, no entanto, quando cheguei à faculdade senti a necessidade de ler, ler e ler. Afinal, não queria me sentir como um peixe fora d’água. As minhas colegas de turma, quase todas, já eram professoras e eu ali, sem saber nadica de nada dos assuntos, dos autores que elas falavam. Pensava: Meu Deus, nunca ouvi falar disso ou desse. Que nada, era só praticar a leitura que iria conhecer tudo o que elas debatiam.
Meu marido também não foi criado com o hábito de ler, adquiriu pela necessidade. Ele também tem a mania gostosa da leitura e gosta muito da internet, como eu, para adquirir informação e conhecimento.                                                                                                         

Acho interessante escolhermos um livro cujo o assunto seja de grande interesse nosso e colocá-lo dentro da bolsa. Muitas vezes estamos em uma fila ou esperando por algo na rua e nesses momentos, ao invés de estarmos pensando em algo que geralmente são os nossos problemas ou algo que temos para resolver, podemos desviar a nossa atenção para o livro.
Ouço alguns pais dizerem: Criança só gosta de ganhar brinquedos. Será? Se a criança não gosta de ganhar livros é porque ela não foi estimulada a isso. Os livros hoje interagem com as crianças e isso é o “começo do início” para o incentivo à leitura.
A leitura permite formar uma sociedade consciente, proporciona melhoria da condição social e humana. Quantas vezes vimos pessoas perdendo algo ou sendo passada para trás porque não sabem dos seus direitos? Quantas pessoas são pegas de surpresa porque não sabem os seus deveres? Quantas instituições, empresas, jogam sujo porque têm a certeza que a maioria das pessoas não lêem e, a partir disto, vão deixar passar o que é de interesse lesivo de quem tem o conhecimento? A leitura desperta o senso crítico. Quantas pessoas se sentem acoadas, humilhadas por outras, por não ter o senso crítico?
Apesar da escola ser um espaço onde adquirimos conhecimento, informação, muitas vezes os livros passam desapercebidos. Não é só em escolas públicas, não, pois já vivenciei algo parecido em escolas particulares. Não incentivam as crianças à leitura e quando distribuem livros, não tem fundamento, não tem propósito, a criança leva o livro para casa e quando volta com o livro para a escola, é colocado no lugar e pronto. É só para que os pais pensem: Nossa, essa escola está “incentivando” meu filho a ler, “incentiva” a leitura. Os pais que não estão inseridos no processo educativo dos filhos, não vão descobrir a artimanha da escola. Esta não elabora trabalhos direcionados com o livro, sequer a professora faz perguntas para que as crianças partilhem do momento de cada um com a leitura. Já presenciei biblioteca fechada na hora do recreio, ou seja, justamente no momento em que a criança tem o tempo livre e que poderia vistar à biblioteca, não tinha como.     
Não basta ter livros na escola, ter biblioteca ou o professor está inserido no processo motivacional somente dizendo: Que bom! Levem o livro para casa! Segundo KRIEGL (2002) “não consiste em que o professor diga: Fantástico! Vamos ler! Mas que elas mesmas (as crianças) o digam ou pensem. Isso se consegue planejando bem a tarefa de leitura e selecionando com critério os materiais que nela serão trabalhados, tomando decisões sobre as ajudas prévias de que alguns alunos possam necessitar evitando situações de concorrência e promovendo, sempre que possível, aquelas situações que abordem contextos de uso real, incentivem o gosto pela leitura e façam o leitor avançar em seu próprio ritmo para ir elaborando sua própria interpretação”.
A leitura traz: Integração social, desenvolvimento de um olhar crítico, ampliação de horizontes, ampliação do vocabulário, capacitação de profissionais, aumento da autoestima etc..  Quantas coisas, não é mesmo?! Então, por que não incentivar à prática da leitura? Por que não praticar à leitura?



“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história.”    Bill Gates


Um forte abraço, um grande beijo
Cristina Calazans


Imagens:
Google imagens

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pais: Iniciativa, Solidariedade

   
            Basta apenas o primeiro passo, a primeira tomada de decisão, para começar a dar certo.
Percebo que os pais que têm condições de ajudar, de contribuir com a escola pública, não contribuem devido ao pensamento egoísta (não é meu, não é só meu, meu filho não ficará usufruindo, não é responsabilidade minha, é do governo...), deixam de lado muitas oportunidades para melhorar a estrutura educacional pública.
Pensando no inverno do Rio Grande do Sul que é intenso e dura cerca de quatro meses, pensando na importância que o espaço físico escolar contribui para a aprendizagem, nos propusemos (eu e meu marido) doar um aquecedor para colocar na sala em que minha filha do 2º ano do fundamental I estuda. Alguns pais ouviram a proposta e se prontificaram em ajudar. A turma tem trinta alunos e sabemos que não serão todos os pais que irão contribuir, uns por não terem condições financeiras e outros..., bom, cada um com seus motivos, mas o que importa é que alguns se manifestaram e isto já basta, pois, quando fizemos a nossa proposta, não tivemos a ideia de pedir e sim de sermos solidários. Nesse momento, na escola das crianças, me fez lembrar o gasto que temos com escolas articulares. Fora a mensalidade, pagamos horrores por qualquer coisa, porque na escola particular "pagamos até para que os nossos filhos respirem".   A maioria dos pais não quer ter trabalho, logo, quem tem dinheiro, é melhor pagar e pronto! É muito mais fácil! Sendo assim, muitos pais preferem a escola privada para não precisar ter preocupação com os filhos ou com qualquer problema em prol deles, seja na estrutura da escola ou no ensino complementar, não que esta preocupação não tenha que existir na escola privada, mas, sabendo-se que a particular oferece um ensino mais amplo, “não precisa”. Não precisa, também, se preocupar em comprar aquecedor, ventilador, fiscalizar com mais intensidade etc.. Ainda assim, na minha concepção, é mais prazeroso investir em uma estrutura do que em uma só pessoa.
            A partir do momento que os pais fazem algo pela escola, passam a colaborar com a sociedade, passam a ser vistos como pais interessados, que não estão ali somente para cobrar e sim para ajudar a melhorar a educação num todo, isso reflete no relacionamento escola/família, na aprendizagem dos educandos e, como sabemos, esse relacionamento é importantíssimo no desenvolvimento intelectual e moral. Não podemos esquecer que “a escola tem sua metodologia e filosofia para educar uma criança, no entanto, ela necessita da família para concretizar o seu processo educativo.” (Parolin, 2005, p. 99)
Não podemos ficar somente criticando, se resolvemos optar pela escola pública, seja por motivos financeiros ou por direito adquirido, não podemos virar as costas e não fazer absolutamente nada. Fazer da escola um depósito de crianças/adolescentes, basta? Assim não vamos alcançar a qualidade no ensino. Imagina se alguns pais fossem até a professora e perguntassem para ela: O que a senhora precisa para colocar o seu trabalho, o seu projeto em andamento? Professores que ganham uma miséria e muitas vezes têm que tirar o dinheiro do próprio bolso para conseguir colocar em prática o seu trabalho, estes, acredito, trabalhariam com muito mais prazer sabendo que alguém está ali para apoiá-los.                                               
Importante ressaltar que o aquecedor não será retirado da sala, esta foi uma preocupação da direção: “Se doarem o aquecedor não poderão retirar da sala”. Segundo a diretora, ano passado, fizeram uma doação de uma geladeira e quiseram que a geladeira acompanhasse o filho no ano seguinte, ou seja, o filho mudou de sala, a geladeira muda também. Nem pensar, né, gente! A doação não deve ser feita para o filho e sim para a escola. O filho irá usufruir, mas se mudar de sala no ano seguinte, o que é provável, contribui-se novamente.
Então é isso, tome a iniciativa, seja solidário!
Alguém vai te olhar, perceber e acompanhar a sua luta, a sua ideia.
Pais, contribuam, participem da escola do seu filho, principalmente se ela for Pública!!

Vamos indo!!
            Abraços
                                                  Cristina Calazans
 




 Imagens:
http://sejasolidariobelem.blogspot.com
http://pointnoalvo.blogspot.com

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Precisamos mudar? Onde erramos ou acertamos? (Rodrigo Gabriel)






        Bom, analisando bem as imagens, percebo que nem “8 e nem 80”.
        No comportamento de 1969, a cobrança dos pais deve ser feita antes, durante e depois do processo e não arbitrariamente quando as notas chegam. A conversa deve ser feita em casa e não na frente da professora ou de qualquer que seja a pessoa. A atitude dos pais deixa a professora como “a dona do saber”, com o poder professoral, e sabemos que não há saber absoluto.
       Da mesma forma na imagem de 2009, não deve haver repressão. O autoritarismo dos pais prejudica o processo educativo num todo. Quanto a atitude dos pais, principalmente na frente do filho, deve exigir que este respeite a professora e reconheça seu papel essencial em sala de aula, além de tirar a autoridade da professora, estimula a agressividade na criança.
        A responsabilidade da nota não é de apenas um e sim de todo um processo, partindo da família.
      Percebo que quando o professor “abraça o problema” sozinho, ele acaba ficando prejudicado. O professor está na escola para dar aulas e não para resolver “pepinos”, para isto existe a direção e supervisão/coordenação. Pensando na charge de 2009, a professora deveria manter a autoridade e, sem se igualar aos pais, ou seja, sem agressão, chamaria os responsáveis da escola e juntos poderiam resolver o problema da agressividade dos pais e das notas do aluno.

          A partir disso: Precisamos mudar? Sim, e muito
Onde erramos ou acertamos? Erramos no autoritarismo, na agressão para alcançar nossos objetivos. Erramos quanto culpamos o outro pelo que é responsabilidade nossa.
Acertamos quando tomamos atitudes que levam à reflexão, que levam à conscientização, que promovam inclusão. Acertamos quando nos comprometemos (família/escola) Educar.


OBS: Faço parte do movimento “Queremos Ética” no Facebook.
O Rodrigo Gabriel, que é um dos organizadores do movimento, postou essas charges e fez as perguntas. Esse texto, com poucas modificações, foi a minha opinião.

A resposta do Rodrigo: “Defendo que nestas duas situações, poderia haver uma melhor. Os pais poderiam estar perguntando para os dois: “Por quê?“. A responsabilidade do ensino e do aprendizado é dos dois, o que vale é a ÉTICA para os dois lados, para o aprendiz e para o mestre. Assim poderão aprimorar suas técnicas de aprendizado e ensino.”

Se você também quiser deixar seu comentário, fique à vontade!! 

Um forte Abraço
Cristina Calazans

domingo, 19 de junho de 2011

Falta Comprometimento

Estava lendo uma matéria no jornal O Dia e lembrei....
Assim que chegamos aqui em Alegrete resolvemos, devido ao pouco tempo que vamos ficar na cidade (menos de um ano), colocar as nossas filhas em uma escola pública.               Visto que a maioria das pessoas da cidade indicava a Escola Demétrio Ribeiro como a “melhor”, resolvemos (eu e meu marido) matriculá-las nesta escola. 
Desde que começaram as aulas, já passamos por muitos desafios, mas resolvemos não tirar as nossas filhas de lá porque sempre temos a esperança que tudo irá ser resolvido, que não podemos fugir dos problemas, pois quem está em busca de uma educação de qualidade não pode dar as costas para os problemas que surgem na educação, tem que procurar resolver, mesmo com muitos incômodos. Surgem problemas atrás de problemas (alguns já coloquei aqui no blog). O fato mais recente que enfrentei foi  parecido com o que li esses dias no O Dia Online – Rio:
 “A briga aconteceu porque Cristiane foi à escola há dias pedir providências porque seu filho foi apelidado de "Gordo" pelos colegas de sala de aula. A mãe foi até a direção da escola e pediu providências. No entanto, a decisão tomada foi pela transferência de colégio do menino, o que deixou irritada a mãe da criança.”
Comparando o fato que aconteceu comigo com a reportagem, uma das diferenças foi que não agredi a coordenadora. Quem me conhece sabe que sou de reivindicar, de resolver os problemas, mas sem ataque físico ou moral, porém a vontade foi grande de dar nela, aaah, foi!! Afinal de contas, não sou de ferro!! Se vontade não fosse uma coisa que dá e passa e se eu não soubesse que poderia ser processada por partir pra cima dela, não sei o que seria. A própria colega da coordenadora, que é profissional, porque me ouviu com seriedade, também estava na sala e quando teve uma oportunidade falou: “Nossa, pensei que você fosse avançar nela” e eu disse: "vontade não faltou".
O acontecimento se deu porque uma menina da sala da minha filha mais velha (12 anos) xingou ela de “puta” sem o menor sentido, passou o bilhete para outra colega.... Na escola, o histórico da menina que originou a afensa é de que ela parte para brigas com os colegas, com ela não tem diálogo. A minha filha sabendo disto, quando soube do bilhete que a ofendia, procurou a diretora e a entregou o bilhete, porém a diretora não tomou as providências, passsaram-se quase duas semanas e nada. Então tive que ir à escola, maaaais uma vez,  para saber porque ainda não tinha sido tomada as devidas providências, por que ainda não tinham chamado as duas para conversar?  
Uma das coordenadoras, ao entrar na sala que eu estava, começou com cinismo e deboche com a minha cara e disse, pela segunda vez, que era para procurarmos outra escola.... O que eu pude “dizer” pra ela, eu disse: “Você é cínica, debochada, irresponsável, não tem o mínimo de profissionalismo e, além disso, é incapaz de resolver problemas, ao invés de resolver, prefere dizer para os pais que retirem seus filhos da escola..." e daí por diante.
Acontece que quando encontra-se pessoas que não consegue se controlar a fim de não agredir ou que não sabem como funciona a Lei, o resultado é esse da matéria.
A meu ver, esses “profissionais”, como já disse em outro post, estão dentro das escolas para prejudicar os que querem uma educação de qualidade.  
Os professores gostam muito de falar: Os pais não procuram saber dos filhos na escola, no entanto, quando vão procurar saber, são tratados com deboches, cinismos, desconsideração, falta de respeito pelos que deveriam estar lá para ajudar e não para atrapalhar o processo educativo.   
O que está faltando é comprometimento tanto dos profissionais da educação como dos pais. Os profissionais da educação têm que, literalmente, lidar com a Educação. Professores têm que procurar se atualizar, muitos têm anos de magistério, de carreira, pensam que já sabem tudo, agem como se não precisassem de mais nenhum conhecimento. Vejam só: A professora da minha filha mais nova, disse na reunião do início do ano que tem mais de 20 anos de profissão, que irá continuar com o mesmo sistema de todos esses anos, não é a favor de métodos novos... imagina como fiquei, ouvindo isso na primeira reunião escolar?  Ela alfabetiza desde o século passado e quer continuar alfabetizando do mesmo jeito, como se não existisse evolução. Esse foi o primeiro desafio que enfrentei. 
Os gestores precisam estar mais presentes e atuarem com liderança. Orientadores/coordenadores precisam ser profissionais quando os pais vão à escola para saber de seus filhos. Quanto aos pais, não podem fazer das escolas depósitos de crianças e adolescentes deixando de lado a vida escolar dos filhos, deixando de cobrar o ensino que merecemos presenciar e que nossos filhos merecem receber. Os pais precisam estar atentos, precisam ir à escola questionar o que falta, saber o porquê dos problemas que surgem, precisam fiscalizar.
            Agora dei um tempo de levar as crianças, tenho que pegar fôlego, quem está indo levar as meninas todos os dias é meu marido. Todos os dias ele vai fiscalizar se a professora da minha filha mais nova, que está no 2º ano do ensino fundamental I, está indo dar aulas, pois ela estava deixando uma estagiária de 17 anos que está terminando o curso do ensino de nível médio para formação de professores primários, sozinha, em sala de aula, ensinando para as crianças que antes de Pedro Álvares Cabral vir para o Brasil ele estava indo para a China. É cara (o) amiga (o), “né brinquedo não!”, é isso mesmo que você “ouviu”, Cabral estava indo para a China, acredita nisso?!! Quando peguei o caderno da minha filha para estudar com ela, achei que minha filha tinha entendido errado ou tinha escrito errado, mas ela dizia pra mim: “Não mãe, a profe disse assim mesmo...”. Claro que o maior erro aí não foi da estagiária e sim de quem não fiscalizava o trabalho dela. Esse foi mais um problema que já foi resolvido e que está sendo fiscalizado.
Tenho que confessar que a luta é grande, o desgaste é enorme, temos que pegar firme com as crianças aqui em casa também, pois o conteúdo não é muito problematizado nas aulas e por isto entendo quando os meus amigos preferem trocar seus filhos de escola ou colocá-los em uma particular. Pensamos, e não foi somente uma vez, voltar as nossas filhas para a escola particular, mas pensamos também: Problemas nós temos, mesmo nas escolas particulares, por que elas não podem receber uma educação de qualidade na escola pública, visto que também pagamos por ela? Tenho que confessar, também, que o gosto da vitória é maior ainda, vale a pena!!
Quando sairmos daqui de Alegrete, estamos fortalecendo a ideia de continuar na luta, ou seja, não tirá-las de escola pública (isso se a gente conseguir ficar vivo até lá rsrsrs), brincadeiras à parte, esta nossa decisão está se fortalecendo porque, apesar de todos esses aborrecimentos, estamos conseguindo alcançar o que todos nós merecemos, ou seja, um tratamento e um ensino digno para as nossas filhas.

A matéria está aqui:


Um abraço bem apertado e a luta continua companheiros (as)!!!

Cristina Calazans